A única liberdade pela qual vale a pena dar a vida

A liberdade é uma palavra muito bela, mas, como acontece com todos os vocábulos, presta-se aos maiores abusos. Pela causa e em nome da liberdade, milhões de pessoas têm sido cruelmente assassinadas.

Quem hoje ouve os inflamados discursos da classe política, a propósito do 25 de Abril de 1974, facilmente descobre que apenas se fala daquilo que convém. Todas as revoluções são um misto de luz e sombras e um emaranhado de contradições. São exaltados os presos políticos do antigo regime, o que se compreende. Porém as forças partidárias que fazem essa exaltação são as mesmas que só não submeteram Portugal à ditadura do Imperialismo soviético porque não conseguiram. O projeto do 25 de Abril da parte de forças era transformar o país numa colónia daquele império.

Nessa altura recorria-se aos meios mais cruéis e ao fuzilamento de milhares de pessoas para implantar uma “democracia” totalitária. Ficou célebre a ameaça do estratega da revolução, Otelo Saraiva de Carvalho, que, depois de visitar o ditador Fidel de Castro, chegou a insinuar que estaria disposto a encher a praça de touros do Campo Pequeno de novos presos políticos e eventualmente fuzilar uma parte deles. Disto não falam esses inflamados oradores. A única liberdade pela qual vale a pena lutar é a liberdade consciência, fonte de todas as outras que merecem tal nome.