mãoserguendo oglobo

Ainda aprendi na minha catequese infantil que havia quatro pecados que “bradam ao céu”. Com o aprofundamento da moral católica e investigação antropológica, ficou apenas um - mas esse um é muito, mas mesmo muito falado, mesmo fora do âmbito da Igreja, embora com outro nome.

Estou a referir-me à tão complexa justiça social. A entidade empregadora não pode forjar leis a seu belo prazer mas ser justa e humana, tanto quanto possível. Os trabalhadores, a todos os níveis, têm que ser respeitados. A força do trabalho não é uma mercadoria. Trate-se de pessoas que têm uma família, não importa que tipo de família, e, frequentemente, uma casa para acabar de pagar. De modo algum, uma falsa caridade, pode substituir a justiça.

Deste princípio básico nasceu a Doutrina Social da Igreja, em que devem inspirar-se as relações entre patrões e seus trabalhadores
Não se trata duma de mais uma ideologia, mas duma expressão da caridade. “De modo que a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de as fazer participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida quotidiana.

Os salários justos são os frutos legítimos do trabalho. Negar ou reter isso é uma grave injustiça, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspetos, dentro do condicionalismo das várias épocas.

Acontece que a Igreja também ela é com frequência empregadora. Por isso, deve cumprir em relação aos seus trabalhadores aquilo que recomenda às empresas em geral. Bem sei que em muitos casos, os recursos são poucos. Esses recursos, poucos ou abundantes, são fruto também do suor dos trabalhadores. A entidade empregadora da Igreja deve lembrar-se que os seus trabalhadores, muitas vezes têm uma casa para acabar de pagar. 

Têm filhos, têm problemas de saúde. Podem ter a mãe ou outra pessoa de família doente para cuidar, etc. etc. Isto não são opiniões individuais mas doutrina do Magistério da Igreja. João Paulo II, já canonizado, não deixa de falar no direito à greve, não sentido marxista, mas como motor de união entre os trabalhadores e de representação perante a entidade patronal. Apoiou claramente o primeiro sindicato livre na Polónia. Certas forças políticas não gostaram e arranjaram um pobre rapaz para o matar.