natureza3

Uma linda história
 
Bento de Núrcia, que veio a chamar-se S. Bento, tinha uma irmã de nome Escolástica que veio também a chamar-se Santa Escolástica.
Bento visitava, de vez em quando, a irmã e os dois mantinham-se em santos colóquios até noite dentro.
Numa dessas noites, Bento ia a despedir-se da irmã para regressar ao mosteiro.
Eis porem que rebentou uma assustadora e perigosa tempestade. Deste modo, Bento já não pôde regressar ao mosteiro, pernoitando em casa da irmã e assim o diálogo continuou sem fim à vista.
Passados poucos dias, Escolástica morreu e Bento viu a sua alma subir ao céu.
Eu, noutra perspetiva, não tenho apenas uma irmã, mas milhares, particularmente as que um dia foram batizadas na mesma fé da Igreja. É Paulo de Tarso que mo recomenda. Trata as mulheres, sobretudo as jovens, como irmãs.
Na passada quinta-feira, partiu uma dessas irmãs, jovem de 90 e poucos anos. No último encontro que tivemos, rimo-nos muito. No seu corpo desgastado, palpitava um espírito jovem. 
Cuidava da Capela da Senhora do Amparo, Venda Nova, com todo o esmero e sem qualquer contrapartida. Todos os domingos, lá estava ela, antes de eu chegar, já com tudo preparado para a celebração da Eucaristia.
Ouso afirmar que também a vi a Rosinha voar, rumo à pátria celeste, deixando na terra um sementeira de outras rosinhas.
 
 
 
A luz que ilumina todo o homem.
 
 
Através dos tempos, muitos pensadores se debruçaram sobre esta questão: 
Afinal o que é o homem?
Hoje a interrogação continua. Muitas são as respostas.
Um pensador, muito conhecido, Pascal, chamou ao ser humano uma “cana pensante”. A cana sugere que somos frágeis, sujeitos aos ventos e prontos a ser cortados. Sabemos que isso é verdade. Mas essa grande fragilidade serve de suporte à nossa grande dignidade. Somos pensantes. Até agora, não foi encontrado qualquer outro ser vivo dotado de razão. Temos ainda a capacidade de amar de forma gratuita e afetiva. O mesmo pensador acrescenta que, em rigor, um simples pensamento vale mais do que uma estrela e um ato de amor puro vale mais do que o universo.
Creio que só através da fé descobrimos esta dignidade.
Mas sempre houve quem resvalasse para o pessimismo, para o lado oposto, o nada.
Li há pouco, trechos duma famosa obra escrita por um filósofo contemporâneo, Sartre. Este apresenta-nos a vida humana como um absurdo, algo de banal e sem sentido. Compreende-se o título desse livro: a Náusea.
Lembrei-me daquelas palavras de S. João: “ Ele era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina”. E ainda: “Deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”.
 Então, fechei o livro e louvei a Deus pela luz da fé que procuro viver.
Acabo de ler um artigo que se faz eco dum livro muito em moda, que tem por título o “Homem Deus”.  
 
 
Em todos os tempos houve cientistas e filósofos que negaram a existência de Deus ou melhor do deus em que eles, por preconceito, julgam ser Deus. Não aceitam de modo algum um Deus que não caiba na sua inteligência. Não os julguemos, porque alguns estarão mais próximos de Deus do que certos cristãos. Deus não é um oposto da ciência. 
Como afirmou um dia um determinado bispo, em rigor, os cientistas não descobrem nada. Apenas encontram, através da investigação, o que Deus semeou no cosmos. O campo da fé, falo da fé cristã, está para além do campo da ciência, mas a fonte é a mesma.
Alguns cientistas contemporâneos, fascinados pelo progresso galopante, afirmam o que está dito e redito. Com um acrescento. Querem-nos ensinar como será o homem do futuro.  O referido artigo termina assim: “O homem torna-se no único solitário pelo seus destino. Um órfão, sem alma, um algoritmo solitário”. 
A nossa fé anuncia-nos algo de muito mais consolador. O nosso Deus, através da pessoa de seu Filho, veio habitar e caminhar connosco, partilhando as nossas alegrias e dores. É o amor todo  poderoso, mas não nos assusta com armas nucleares nem mísseis intercontinentais, como já faz o tal homem do futuro. Atua sempre através do amor e da humildade e dá-nos a sua mãe como nossa mãe. Não tenhamos medo, porque com Ele por Ele, o ano de 2019 redundará em bem para nós, embora possa, por vezes possa parecer o contrário. “Esperar contra toda a esperança” seja o nosso lema.